
Geração Z: nascidos entre 1996 e 2010. Os primeiros nativos digitais. Eu, nascida em 2004, marco exatamente a metade dessa linhagem. Estou prestes a completar 22 anos e me vejo no epicentro de um fenômeno que, embora atinja todas as gerações, parece ter ganhado contornos muito mais cruéis para nós.
A “Crise dos 20” é um clichê antigo, mas o que muda quando você a vive através de uma tela?
Acredito que as redes sociais e a busca constante por uma perfeição performada tenham muito a ver com isso. O comparativismo é a nossa maior armadilha. Aos 15 anos, eu tinha a ilusão de que aos 25 a vida estaria resolvida: o amor da vida ao lado, um emprego estável, carreira consolidada e todas as caixinhas da “vida adulta” marcadas com um check. Agora, quanto mais me aproximo dessa fase, mais percebo que eu não sabia de nada.
Recentemente, me peguei cantarolando um verso de Nothing New, da Taylor Swift, que resume perfeitamente esse sentimento:
“How can a person know everything at 18, but nothing at 22?” > (Como alguém pode saber tudo aos 18, mas nada aos 22?)
Aos 18, o mundo parece um tabuleiro onde você tem todas as peças. Aos 22, parece que o tabuleiro mudou e ninguém te entregou as novas regras.
Fomos ensinados que a vida é linear e que as decisões que tomamos agora são eternas. Esse peso nos assusta. Mas, cada vez mais, percebo que essa “eternidade” é uma mentira. Sinto uma vontade imensa de arriscar, de sair do lugar relativamente estável onde me encontro hoje para buscar o que realmente faz meu coração vibrar. Afinal, eu nunca mais terei 20 e poucos anos de novo.
Mas aí vem o monstro do final do corredor: o medo. O medo de não conseguir recuperar o tempo, de arriscar e sair perdendo, de “ficar para trás” em uma corrida que, no fundo, nem sabemos onde é a linha de chegada.
É um momento em que você quer tudo, mas não tem certeza de nada. Um dia, a vontade é de largar as planilhas e reescrever a trajetória do zero em outro lugar; no outro, o desejo de ser bem-sucedida cedo fala mais alto, nos empurrando a continuar crescendo onde já estamos.
A geração que questiona, mas que se pressiona
Somos a geração que mais enfrenta estereótipos. Batemos de frente com o mercado de trabalho, não baixamos a cabeça e não aceitamos a exploração como algo “natural”. Por outro lado, sofremos com uma pressão interna devastadora. As redes sociais deixaram de ser apenas um passatempo; tornaram-se amplificadores da nossa ansiedade.
Recentemente, um dos meus melhores amigos decidiu desinstalar todas elas. Honestamente? Senti inveja. Queria entender como é viver sem a comparação constante, sem olhar milhares de “vidas perfeitas” nos stories com rotinas que passam longe da realidade de 90% dos brasileiros.
O Blog como um ato de resistência
Ainda não consegui dar o log out definitivo, mas este blog, o A Fase dos 20, é o meu primeiro passo. É a minha tentativa de usar o tempo para algo que eu realmente amo: escrever. E é também um convite para compartilhar essa trajetória de redescobrimento, sem filtros e sem a obrigação de parecer resolvida.
Se você também está tentando se encontrar no meio desse barulho todo, seja bem-vinda. Vamos nos perder e nos achar juntas.
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